Condenado por matar ex-mulher muda comportamento durante júri, e julgamento é anulado em Goiás

Um homem condenado por matar a ex-mulher a tiros chamou atenção durante uma sessão do Tribunal do Júri realizada no fórum da comarca de Flores de Goiás, no nordeste do estado.

Imagens de câmeras de segurança mostram que o acusado caminhava normalmente antes de entrar na sala do julgamento, mas passou a mancar e aparentar dificuldades para andar ao chegar ao local da sessão.

O julgamento ocorreu em 14 de agosto de 2025, quando o réu foi condenado a 20 anos e nove meses de prisão. Posteriormente, no entanto, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás anulou a decisão.

Nas imagens registradas no fórum, o homem aparece chegando ao prédio caminhando normalmente. Vestindo camiseta listrada em azul e branco, calça preta, sapatos pretos e óculos escuros, ele passa pelo detector de metais e segue em direção à sala onde ocorreria o julgamento.

Ao entrar no local, porém, o comportamento muda. O acusado passa a demonstrar dificuldade para caminhar e chega a precisar de ajuda para se locomover até a cadeira onde aguardaria a leitura da sentença.

De acordo com o Ministério Público do Estado de Goiás, as imagens foram registradas em ata durante a sessão para demonstrar a mudança de comportamento do réu.

Entenda o caso

O crime ocorreu na madrugada de 16 de julho de 2016. Segundo a denúncia do Ministério Público, o homem foi até a chácara da ex-esposa com a intenção de tentar reatar o relacionamento.

Após a mulher recusar retomar a relação, ele teria sacado uma arma e afirmado que, se ela não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém. Em seguida, os dois entraram em luta corporal e o homem efetuou um disparo contra a vítima, que foi atingida na cabeça.

Uma amiga da mulher presenciou o crime. Conforme o relato, o autor ainda tentou atirar contra a testemunha, mas a arma falhou.

Anos depois, em abril de 2019, familiares da vítima denunciaram o caso ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, o que levou o processo a julgamento pelo Tribunal do Júri em 2025.

Durante o interrogatório, o réu confessou ter causado a morte da ex-esposa, mas negou ter tentado matar a amiga da vítima. Segundo o depoimento registrado no inquérito, ele afirmou que teria sido agredido durante a discussão, perdeu o controle e efetuou os disparos.

Defesa recorreu

A defesa recorreu da condenação alegando, entre outros pontos, que os vídeos que mostram o acusado aparentando dificuldade para andar não foram anexados ao processo com a antecedência mínima de três dias úteis.

O recurso foi aceito pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, que decidiu anular o julgamento e determinou a realização de uma nova sessão do Tribunal do Júri.