
A família de Yam Francisco da Cunha Oliveira, de 29 anos, morto durante uma ocorrência envolvendo policiais militares na noite de quinta-feira (29), em Arraias, no sudeste do Tocantins, contesta a versão apresentada pela Polícia Militar sobre as circunstâncias da ação que terminou com a morte do jovem e deixou outro rapaz, identificado como Yuri, ferido.
Em manifestação sobre o caso, familiares apresentam uma versão diferente daquela divulgada inicialmente pela corporação. Segundo eles, os dois jovens não estavam armados e não houve troca de tiros. A família sustenta que os disparos partiram exclusivamente dos policiais militares.
Um dos relatos considerados importantes para o esclarecimento do episódio é o da própria mãe de Yuri Rainnan Francisco da Cunha, 21 anos, que teria presenciado toda a ação. O crime ocorreu em frente à residência da família, circunstância que, segundo os familiares, permite que testemunhas presenciais contribuam diretamente para a reconstrução dos acontecimentos.
Família questiona alegação de que os jovens estavam armados
Na versão divulgada inicialmente pela Polícia Militar, os agentes realizavam patrulhamento da Força Tática quando avistaram dois homens deixando uma área conhecida pela incidência de tráfico de drogas. Após receber ordem de parada, o motorista teria desobedecido e iniciado uma fuga pelas ruas da cidade.
Ainda segundo a corporação, durante a perseguição, o condutor teria colocado uma arma de fogo para fora da janela do veículo, o que teria motivado os policiais a efetuar disparos.
A PM informou também que, após uma colisão nas proximidades do presídio de Arraias, o motorista teria tentado sair do automóvel ainda armado, momento em que foi novamente atingido pelos disparos.
A família, entretanto, contesta essa narrativa. De acordo com os relatos apresentados pelos familiares, os jovens não portavam armas e os policiais foram os únicos a efetuar disparos.
Outro ponto levantado diz respeito ao próprio depoimento dos agentes. Conforme a contestação da família, os policiais teriam reconhecido que não houve troca de tiros, uma vez que somente a equipe policial realizou disparos.
Os familiares também questionam a afirmação de que Yam teria tentado atirar contra os policiais, mas que a suposta arma teria falhado. Para eles, essa alegação precisa ser confrontada com os depoimentos das testemunhas e, principalmente, com os resultados dos exames periciais.
Marcas de tiros no veículo levantam questionamentos
Outro elemento apontado pela família são as marcas de disparos encontradas na traseira do automóvel e no vidro traseiro.
Segundo os relatos apresentados, os policiais também teriam efetuado disparos contra o veículo durante a perseguição. A presença dessas marcas, na avaliação dos familiares, precisa ser analisada em conjunto com a trajetória do automóvel, a posição dos ocupantes e os locais de onde partiram os tiros.
Os exames balísticos no veículo e nas armas utilizadas pelos policiais poderão ajudar a esclarecer a quantidade de disparos, suas trajetórias e as circunstâncias em que foram efetuados.
Família também questiona o socorro prestado a Yam
A prestação de socorro ao jovem é outro aspecto que a família considera necessário esclarecer.
Na versão divulgada pela Polícia Militar, Yam foi socorrido pela equipe e encaminhado a uma unidade hospitalar da região, mas não resistiu aos ferimentos.
Os familiares, por sua vez, pedem esclarecimentos sobre as condições em que o rapaz foi encontrado após os disparos, o intervalo entre o momento em que foi atingido e o atendimento médico e os procedimentos efetivamente realizados pelos policiais.
A família considera importante confrontar os relatos sobre o momento da morte com os registros médicos, a documentação hospitalar e os demais documentos oficiais.
A investigação deverá esclarecer se o atendimento foi imediato, quanto tempo transcorreu até a chegada ao hospital e quais medidas foram adotadas para tentar preservar a vida do jovem.
Investigação deverá esclarecer as circunstâncias
Conforme informado anteriormente, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO) instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias da ocorrência. A investigação está sob responsabilidade da 105ª Delegacia de Polícia de Arraias.
Foram solicitados levantamentos periciais no local, exames balísticos no veículo e nas armas utilizadas durante a ação.
Diante das versões divergentes, os depoimentos das testemunhas presenciais, especialmente da mãe de Yuri, poderão ter relevância para a apuração. Os resultados dos exames técnicos também serão fundamentais para verificar a compatibilidade entre os vestígios materiais e as versões apresentadas pelos envolvidos.
A família cobra uma investigação rigorosa e independente, capaz de esclarecer a dinâmica dos acontecimentos, a origem dos disparos e as circunstâncias que levaram à morte de Yam.
Até que os resultados da investigação sejam conhecidos, as alegações apresentadas pelos familiares e pelos policiais precisam ser tratadas como versões que ainda dependem de comprovação.
O esclarecimento dos fatos é fundamental para que as circunstâncias da morte sejam devidamente apuradas e a família tenha respostas.