PF investiga chácara em Paranã (TO) registrada em nome de terceiro e com indícios de uso por Wanderlei Barbosa

Um relatório da Polícia Federal, anexado aos autos da Operação Nêmesis, descreve uma chácara localizada no povoado Campo Alegre, zona rural de Paranã (TO), como um dos imóveis que teriam sido utilizados pelo governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) e pela primeira-dama Karynne Sotero.

O imóvel está registrado em nome de Mauro Henrique da Silva Xavier Rodrigues, apontado pelos investigadores como pessoa de confiança do casal e também alvo da operação.

Embora a propriedade não tenha sido alvo da fase mais recente da Nêmesis, deflagrada nesta quarta-feira (12) para apurar supostas tentativas de obstrução das investigações, ela permanece no radar da PF devido a indícios de ocultação patrimonial e uso de terceiros para registrar bens.

Em setembro, durante diligências da Operação Fames-19, os agentes estiveram no local e relataram indícios de utilização direta da residência pelo casal.

Dentro da casa, foram encontradas fotografias, peças de vestuário e um quadro de grande porte com a imagem de Wanderlei e Karynne exposto na sala principal.

O caseiro, Adeilson Neres de Farias, disse trabalhar para “Mauro”, mas, segundo o relatório, apresentou informações contraditórias ao explicar sua relação com o proprietário oficial. Depoimentos coletados pela PF indicam que a construção seria recente, erguida após a suposta compra do terreno em 2024.

Área centro de disputa entre Tocantins e Goiás no STF

A chácara fica em uma área atualmente envolvida em disputa territorial entre os estados de Tocantins e Goiás, objeto de uma Ação Cível Originária protocolada na última semana no Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo goiano afirma que o Tocantins teria avançado sobre aproximadamente 12,9 mil hectares ao norte de Cavalcante (GO), região que inclui parte do Quilombo Kalunga dos Morros e do Complexo do Canjica, áreas de relevância cultural, ambiental e turística.

O conflito se intensificou em janeiro, quando o Tocantins instalou um portal turístico na área contestada. Goiás acionou o STF pedindo a retirada da estrutura.

Especialistas consultados pela reportagem avaliam que a indefinição dos limites fundiários na região dificulta o controle de registros imobiliários e pode impactar a verificação de propriedades relacionadas a agentes públicos investigados.

Em nota divulgada na semana passada, o Governo do Tocantins afirmou que ainda não foi citado oficialmente na ação, mas determinou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a órgãos técnicos a elaboração de um levantamento geográfico detalhado da área para embasar sua defesa. O governador afastado não se manifestou sobre o caso.