Quilombo Kalunga será reconhecido como patrimônio cultural em avanço histórico para povos tradicionais

O quilombo Kalunga, localizado no município de Cavalcante, na região da Chapada dos Veadeiros, será oficialmente reconhecido como patrimônio cultural brasileiro por meio de tombamento constitucional nesta quarta-feira (26).

A iniciativa é conduzida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, e representa um marco na preservação da cultura quilombola e na valorização dos povos tradicionais.

Considerado o maior território quilombola do país, o Kalunga ocupa cerca de 262 mil hectares e reúne aproximadamente 39 comunidades distribuídas entre Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás. O território é reconhecido como um dos principais símbolos de resistência, memória e identidade afro-brasileira.

O tombamento, previsto na Portaria nº 135/2023, estabelece um procedimento mais ágil de reconhecimento com base na Constituição Federal de 1988, reforçando o papel histórico dessas comunidades na formação do país.

Além da relevância cultural e histórica, o reconhecimento projeta o quilombo Kalunga como um importante destino de turismo sustentável e de base comunitária. Inserido em uma das regiões de maior biodiversidade do Cerrado, o território oferece experiências que integram natureza preservada, cultura local e saberes tradicionais.

Para Mércia Miranda, presidente da Associação Veadeiros, a medida fortalece um modelo de desenvolvimento que respeita o território e gera benefícios diretos às comunidades. “Esse reconhecimento valoriza não só a história e a identidade do povo Kalunga, mas também abre espaço para consolidar um turismo de base comunitária, onde o visitante vivencia a cultura local de forma autêntica, contribuindo para a geração de renda e para a preservação do território”, afirma.

A secretária de Turismo e Cultura de Cavalcante e integrante da Associação Kalunga Comunitária do Engenho II, Dominga Natália Moreira, destaca que o tombamento é uma conquista essencial para garantir proteção ao território.

“É algo imprescindível para o cuidado e a preservação do nosso território, que é histórico e repleto de saberes e modos de vida. O tombamento traz esse reconhecimento e também aponta para a necessidade de melhorias, porque preservar também exige investimento e cuidado com o que é material e imaterial”, explica.

Segundo ela, a iniciativa também reforça ações já desenvolvidas pelas próprias comunidades.

“O turismo de base comunitária já é uma realidade no território Kalunga, e o tombamento vem fortalecer esse cuidado que as associações já têm em preservar e, ao mesmo tempo, compartilhar esse patrimônio com os visitantes. Isso impulsiona o turismo de experiência e contribui diretamente para a geração de emprego e renda dentro das comunidades”, completa.

O acordo firmado prevê ainda a elaboração de um inventário dos bens culturais e das potencialidades econômicas do território, com participação ativa dos moradores. A proposta é garantir protagonismo às comunidades quilombolas no processo de reconhecimento e preservação, além de identificar caminhos para o desenvolvimento sustentável da região.

Com o tombamento, o quilombo Kalunga consolida sua posição como um dos destinos culturais mais autênticos do Brasil, reunindo história, identidade e conservação ambiental em uma experiência que valoriza o protagonismo local e a proteção do Cerrado.