Uma rara formação geológica localizada no distrito de Pouso Alto, em Campos Belos, no nordeste goiano, começa a despertar o interesse científico e turístico no Brasil.
No último dia 11 de abril, moradores da comunidade participaram de uma ação de capacitação promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Geociências da Universidade Federal de Goiás (UFG), voltada à preparação da população local para o desenvolvimento do turismo sustentável na região das chamadas “chaminés de fada”.
A iniciativa reuniu pesquisadores, representantes do Instituto Federal Goiano, do Sebrae Goiás, profissionais de turismo ecológico, especialistas em segurança em áreas naturais e moradores interessados em atuar como condutores turísticos.
Durante a manhã, foram realizadas palestras sobre geologia, empreendedorismo, gestão, preservação ambiental e atendimento a visitantes. O objetivo foi preparar a comunidade para receber turistas sem comprometer a conservação do patrimônio natural.
A ação extensionista foi idealizada pela mestranda Ana Cláudia Alves, sob orientação da professora e geóloga Joana Paula Sánchez, uma das pesquisadoras responsáveis pelos estudos da área.
Segundo os organizadores, a proposta busca transformar o território em referência de turismo científico e comunitário, valorizando a geração de renda local aliada à geoconservação.
Além das palestras, os participantes receberam materiais educativos explicando a origem geológica das formações e os cuidados necessários para preservar o local. No período da tarde, foi realizada uma visita guiada às estruturas rochosas, permitindo aos moradores conhecerem, na prática, o potencial turístico da região.
As chamadas “chaminés de fada” — conhecidas internacionalmente como hoodoos ou demoiselles — são formações naturais esculpidas ao longo de milhares de anos pela erosão diferencial.
O fenômeno ocorre quando camadas de rochas com resistências distintas sofrem desgaste em velocidades diferentes. No caso de Campos Belos, pesquisadores apontam que um antigo curso d’água teria erodido as partes mais frágeis das rochas, deixando colunas protegidas por materiais mais resistentes no topo.
Esse tipo de formação é famoso em regiões como a Capadócia, na Turquia, e o Bryce Canyon National Park, nos Estados Unidos.
No Brasil, no entanto, registros semelhantes são extremamente raros. Pesquisadores da UFG classificam a descoberta em Goiás como inédita devido à quantidade, dimensão e estado de conservação das estruturas encontradas. Algumas chegam a cerca de quatro metros de altura.
A área, localizada em uma propriedade rural próxima à divisa de Goiás com Bahia e Tocantins, começou a ganhar notoriedade nacional após reportagens exibidas em veículos de comunicação e estudos científicos divulgados nos últimos meses.
Em janeiro deste ano, o programa Fantástico, da TV Globo, apresentou uma reportagem especial sobre as formações, ampliando a visibilidade turística da região.
O crescente interesse pelo local também mobilizou debates sobre preservação ambiental. Em março, um projeto apresentado na Assembleia Legislativa de Goiás propôs o reconhecimento das “Chaminés de Fada” como patrimônio geológico estadual, estabelecendo diretrizes para proteção e geoconservação da área.
A expectativa é que o turismo controlado na região fortaleça a economia local sem comprometer a integridade das formações. O modelo em estudo prevê visitas guiadas, limitação diária de turistas e acompanhamento por condutores capacitados da própria comunidade.