Cavalcante, no Nordeste goiano, registrou neste domingo a primeira morte por Covid-19.
A enfermeira Adenilce Cesáreo Torres, de 42 anos, veio a óbito depois de vários dias internada no Hospital de Campanha para Enfrentamento do Coronavírus (Sars-CoV-2) de Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
Sua morte comoveu os moradores do município de cerca de 10 mil habitantes localizado ao norte da Chapada dos Veadeiros.
A Prefeitura Municipal de Cavalcante chegou a fazer uma homenagem em seu site em memória da enfermeira e também do padre Marcelo Victor Mendonça Filho, de 48 anos, que desde o dia 27 de agosto está internado para tratamento de Covid-19 no Hospital Alvorada de Brasília.
Informações repassadas pelo hospital à família do religioso e também à administração da matriz de Cavalcante, Senhora Sant’anna, davam conta que o pároco não teria resistido às complicações da doença.
Por volta das 17 horas desta segunda-feira (21), a família do padre Marcelo soltou uma nota informando que seu quadro é gravíssimo do ponto de vista neurológico e ele segue em observação com risco de morte cerebral. Uma tomografia mostrou que há um edema no cérebro.
Há mais de 72 horas o religioso não recebe sedativos e não responde a estímulos.
A enfermeira Adenilce Torres vinha trabalhando na saúde pública de Teresina de Goiás, município a 24 quilômetros de Cavalcante. Pelas redes sociais amigos lamentaram sua morte.
“Ela era um exemplo de dedicação na luta pela atenção e atendimento à saúde de nosso povo de Cavalcante”, disse Vilmar Costa.
“Você era um exemplo como profissional e um ser humano incrível que certamente nos fará muito falta”, comentou no Facebook Tiago Carlos, colega de trabalho da enfermeira em Teresina de Goiás.
A morte de Adenilce, que embora residisse em Cavalcante, deixou em alerta a Associação Quilombola Kalunga (AQK) que teme o avanço do vírus pelo Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga.
Na semana passada, integrantes da comunidade criticaram a presença no local para um evento religioso de políticos do município e da primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado.
“Por mais que estivessem usando máscaras e álcool gel, não respeitaram o distanciamento e o contato físico com os locais, disse uma moradora do Vão do Moleque, uma das comunidades do sítio quilombola.
Números da Secretaria Estadual de Saúde (SES) de Goiás desta segunda-feira (21) mostram que Cavalcante conta com 54 casos confirmados de Covid-19 e 15 suspeitos.
Diante da informação de que padre Marcelo continua lutando pela vida, a prefeitura local retirou seu nome da nota de luto em sua página na internet, mantendo apenas o da enfermeira Adenilce Torres.