Por Jefferson Victor,
Neste mundo globalizado é impossível a qualquer cidadão viver sem a interferência dos bancos em seu cotidiano.
De um humilde aposentado, a um grande empresário, todos ficam a mercê destes mercenários que só se preocupam com lucro e são indiferentes ao descaso que se instalou em todo território nacional.
Tudo começou no governo de FHC, onde o Banco Central cedeu à pressão dos Bancos, e instituíram taxas para todas as modalidades de serviço prestados.
Nos anos 80, nenhum serviço bancário era cobrado, e existiam funcionários em número suficiente para atender com presteza e rapidez.
Uma agência com 5 mil contas, normalmente tinha cerca de 20 funcionários. Com a informatização, aos poucos os funcionários foram desaparecendo, e hoje estas mesmas agências com mais de vinte mil contas contam com menos de 10 servidores, e quando entram de férias não há substitutos.
São filas intermináveis, inúmeros terminais inoperantes, funcionários despreparados e acima de tudo sem compromisso com o cliente.
No caso dos bancos estatais, para burlar a obrigatoriedade do concurso, recorrem a empresas prestadoras de serviços, ou contratações temporárias, e colocam servidores sem o devido conhecimento, aumentando-se assim a precariedade em todos os setores.
Os bancos particulares, a exemplo dos estatais, mantêm apenas dois caixas funcionando, seja no interior ou capital, e não levam em consideração o número de clientes.
Normalmente os empresários fazem seus depósitos após o meio dia, e justamente neste horário é comum bancos funcionarem com apenas um caixa, provocando um colapso nas agências.
Estive no banco Santander em Brasília, peguei uma senha de número 544, quando olhei no visor, estavam atendendo o de número 440, ou seja: 104 clientes em minha frente, sem contar com um grande número de preferenciais que se amontoavam em um canto a espera de atendimento.
A agência tinha seguramente umas 150 pessoas em seu interior, e apenas dois caixas atendendo. Como tinha que pagar um boleto, fui então a uma lotérica nas proximidades. Pra minha decepção cerca de 50 pessoas estavam na fila e o sistema fora do ar.
Procurei então uma agência do Bradesco e para meu espanto, dos oito terminais existentes apenas dois estavam disponíveis para depósito e saque e novamente uma infinidade de pessoas desesperadas em busca de conseguir seus objetivos.
Outro fator preocupante nos bancos é a senha preferencial, que não obedece a nenhum critério, qualquer um pode pegar tranquilamente e muitos espertinhos se beneficiam desta desordem.
Os caixas não fazem qualquer objeção, a briga sempre fica por conta dos que estão nas filas e constantemente há discussões acirradas entre clientes, enquanto funcionários olham indiferentes aos acontecimentos.
São pessoas com menos de 60 anos, falsas amamentadoras, mulheres com crianças em idade avançada no colo e até mesmo idosos que após serem atendidos, retornam com boletos dos espertalhões que querem se livrar da fila.
Eu sei que cliente preferencial é um direito constitucional e é justo, porém, a lei deveria vir acompanhada de algumas regulamentações como por exemplo , um setor de triagem, onde o preferencial comprovaria o porquê do seu privilégio e com isto desestimularia os espertalhões e oportunistas.
Os grandes bancos lucram bilhões a cada trimestre, há uma espécie de acordo entre eles, nenhum se dispõe a contratar mais funcionários para melhorar o atendimento, seja privado ou do governo.
O Banco do Brasil e Caixa Econômica federal deveriam dar exemplo, o governo federal sabe da necessidade de geração de emprego e deveria estimular a contratação de pessoal, com isto daria um melhor atendimento e seria seguido pelos demais.
A questão dos bancos, assim como muita coisa neste país, falta vontade política, somos maus eleitores, votamos por impulso ou por influência, aceitamos pacificamente todas as imposições, e com isto o Brasil não muda.