
Por Dinomar Miranda ( Em visita ao Haiti – 2006)
No Haiti há um ditado: 70% são católicos, 30% protestantes e 100% vodus. Parece exagero, mas o vodu rege a vida do povo haitiano.
A manifestação religiosa, nascida há séculos na África, acompanhou os escravos aprisionados pelos europeus e desembarcou junto com a esperança de uma vida em liberdade.
O vodu sobreviveu às perseguições dos colonos, se “casou” com as manifestações católicas, num sincretismo semelhante ao do Brasil, e se tornou o esteio cultural da nação haitiana.
As divindades adoradas são um grande número de espíritos, chamados de Loas, que podem ser aparentados aos santos católicos, aos ancestrais deificados ou aos deuses africanos.
Suas raízes remotam aos povos da África Ocidental.
O vodu haitiano é popular e sincrético, que incorporou os aspectos do ritual católico-romano, impostos pelos colonos franceses, somados com os elementos religiosos e mágicos africanos das etnias Fon-Ewe, Ibo (África Central) e o Yoruba.
Acredita-se que há um Deus que é o criador de tudo, chamado de “Bondje” (do francês “bon Dieu”). Bondje é distante de sua criação e, por isso, é o voduista que invoca os espíritos para ajudá-lo.
O crente vodu adora o deus, mas serve aos espíritos (Loas), que são tratados com honra e respeito como se fossem membros mais velhos de uma casa.
Estima-se que são vinte e uma as nações (nanchons) dos espíritos, divididos, de acordo com sua natureza, basicamente em duas categorias: quentes ou frios.
Os espíritos frios entram sob a categoria Rada, e os espíritos quentes entram sob a categoria Petro.
Os espíritos de Rada são familiares e vêm na maior parte da África; e os espíritos de Petro são na maior parte nativos do Haiti e requerem mais atenção ao detalhe do que o Rada – ambos podem ser perigosos se irritados ou contrariados.
Nenhum é “bom” ou “mau” em relação ao outro.
Diz-se que todos possuem espíritos, e cada pessoa é considerada como tendo um relacionamento especial com um espírito particular, que é dito “possuir sua cabeça”.
MEMBROS
No Vodu haitiano não há um “Papa”, uma hierarquia como na Igreja Católica.
Há um clero, cuja responsabilidade é preservar os rituais, as canções e manter o relacionamento entre os espíritos e a comunidade como um todo (embora isto seja responsabilidade de toda a comunidade também).
O santuário é presidido por mestre celebrante masculino, o Hougan (chamado carinhosamente de Papi), ou por uma mestre, o Mambo (Mami).
Abaixo dos Houngans e das Mambos estão os Hounsis, que são os noviços que atuam como assistentes durante cerimônias e que são dedicados a seus próprios mistérios pessoais.
Os rituais, com seus cantos, toques de tambores, danças, preces, preparo de alimentos e o sacrifício de animais (e, às vezes, de pessoas), ainda mantém certos traços de seus ancestrais de senzalas ou dos reinos africanos.