UFT recebe lançamento do romance histórico Pele Negra em evento marcado por forte presença acadêmica e valorização da cultura Kalunga

A Universidade Federal do Tocantins (UFT), Campus de Arraias, foi palco, na última sexta-feira (29), do lançamento do romance histórico Pele Negra – Conexão Haiti–Brasil Kalunga, obra do jornalista e escritor Dinomar Miranda. O evento, realizado durante a 15ª Semana Acadêmica de Pedagogia, reuniu dezenas de estudantes e professores, consolidando-se como um dos momentos mais marcantes da programação.

A professora Magna Sueli, doutora, pesquisadora e referência nacional nos estudos sobre o povo Kalunga, participou do encontro e recebeu destaque especial. Autora do prefácio do romance, ela reforçou a importância das comunidades quilombolas para a produção acadêmica e para a construção de uma universidade verdadeiramente inclusiva. Sua presença simbolizou o diálogo entre a pesquisa científica, a ancestralidade e a literatura contemporânea.

Um lançamento no coração do território Kalunga

A escolha de Arraias para sediar o lançamento não foi por acaso. Segundo o autor, a UFT está no centro da vida cultural, histórica e política das comunidades Kalungas — território que inspira parte essencial da narrativa. “Lançar o livro aqui é devolver à comunidade um pouco das histórias que ela mesma preserva e inspira”, destacou Miranda.

A Semana Acadêmica, que neste ano discute o tema “Educação, Território e Democracia: o que a formação de professores tem a ver com isso?”, oferece o ambiente ideal para reflexões sobre identidade, memória e justiça social — pilares que também sustentam o romance.

Um romance que conecta o Haiti, o Cerrado e a história do Brasil

Pele Negra reconstrói, com sensibilidade literária e rigor histórico, a trajetória de Pierre, um haitiano que foge do regime de Papa Doc, nos anos 1960, em busca de liberdade. O personagem atravessa geografias e fronteiras culturais, passando por Porto Príncipe, Brasília, Cavalcante, Monte Alegre, Arraias, Campos Belos e pelas comunidades Kalungas.

Na obra, o leitor encontra paralelos surpreendentes entre o Haiti e os quilombos do Sertão: o Vodu e as tradições Kalungas, a resistência haitiana e a luta histórica dos povos afrodescendentes no Brasil. Com descrições ricas do Cerrado, de seus rios, serras, fazendas e personagens típicos, o livro revisita também memórias nacionais, como a construção de Brasília, a saga dos candangos e os ecos da Coluna Prestes.

Personagens fortes e camadas de resistência

A narrativa apresenta figuras marcantes, como:

  • Darline Marie, símbolo de afeto e sobrevivência;
  • Tenente-Coronel Gerard, antagonista moldado pela violência do regime ditatorial haitiano;
  • Dinin e Seu Monteiro, representantes do Cerrado profundo e de sua cultura.

Com base histórica sólida e atmosfera literária envolvente, o romance dialoga com moradores do Sudeste do Tocantins e do Nordeste de Goiás, pesquisadores das ciências humanas e leitores interessados em temas como ancestralidade, migração, democracia e resistência negra no continente americano.

Um encontro para celebrar memória, território e literatura

O lançamento integrou a programação oficial da Semana Acadêmica e atraiu público expressivo. Estudantes, docentes e pesquisadores destacaram a relevância da obra para a compreensão da história regional, das conexões afro-diaspóricas e da importância da universidade como espaço de produção de saberes comprometidos com a diversidade.

O autor reforçou que o livro “pertence à região que o inspirou” e convidou moradores de Arraias, Campos Belos, Cavalcante, Monte Alegre, Teresina de Goiás, Aurora, Taguatinga e municípios vizinhos a conhecerem a obra.

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