Corredores lotados, leitos vazios: o retrato cruel da saúde pública no Tocantins

As imagens são de revoltar. Centenas de pacientes espalhados pelos corredores do Hospital Regional de Porto Nacional (TO), muitos deles debilitados, aguardando por atendimento médico que deveria ser básico, imediato e digno.

A poucos metros dali, dezenas de quartos e leitos com camas vazias — espaços que deveriam estar sendo usados para aliviar o sofrimento da população, mas permanecem inutilizados.

O contraste é brutal. E revelador.

O Hospital Regional de Porto Nacional é um dos maiores do Tocantins, referência para milhares de pessoas.

Mesmo assim, funciona hoje como símbolo de um colapso que não deveria estar acontecendo. Não por falta de estrutura. Não por falta de dinheiro. Mas por falta de gestão — ou, pior, por escolhas administrativas que reforçam a cultura de descaso.

Enquanto isso, em Palmas, o cenário político parece caminhar em direção oposta ao que exige a realidade da população.

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o retorno de Wanderley Barbosa ao cargo de governador. Barbosa é investigado por corrupção e desvio de recursos públicos — justamente o tipo de prática que mina a capacidade do sistema de saúde de funcionar minimamente.

O retorno do governador ao Palácio Araguaia, portanto, não é apenas uma decisão judicial. É também um símbolo do quanto a gestão pública no Tocantins parece desconectada da urgência da vida real, onde cidadãos enfrentam filas intermináveis, improviso e humilhação para conseguir atendimento.

Os vídeos enviados ao Blog neste domingo (7), registrados por um paciente indignado, evidenciam de forma direta o que a sociedade já sente há anos: a crise da saúde no estado não decorre da falta de recursos. O orçamento do SUS no Tocantins existe, é robusto e deveria dar conta das demandas.

O problema é outro — uma engrenagem administrativa que, em vez de priorizar o interesse público, opera para permitir brechas, descontrole e, em muitos casos, corrupção.

Má gestão, desperdício e omissão formam um tripé que corrói o sistema por dentro. E quando quem deveria governar o estado volta ao cargo sob suspeita de desviar justamente esses recursos, a sensação de impunidade se torna tão sufocante quanto os corredores lotados do hospital.

A população do Tocantins merece mais. Merece ser tratada com respeito, com políticas públicas sérias e com um governo que compreenda que saúde não é favores — é obrigação constitucional. Os vídeos deste domingo são mais um alerta, mais um pedido de socorro e mais um retrato do Brasil que insiste em colocar a política à frente das pessoas.

O que não falta é dinheiro. O que falta — e sobra nas imagens — é vergonha.