Já está disponível para o público o romance “Pele Negra – Conexão Haiti–Brasil Kalunga”, do jornalista e escritor Dinomar Miranda, uma obra que dialoga diretamente com a história, a cultura e a identidade do Sudeste do Tocantins e do Nordeste de Goiás.
O livro vem despertando interesse de leitores, educadores e pesquisadores por retratar, com sensibilidade e rigor histórico, narrativas pouco exploradas da formação social brasileira e da diáspora negra nas Américas.
Ambientado em cenários que passam pelo Haiti, Brasília e pelo coração do Cerrado — incluindo Arraias, Campos Belos, Cavalcante, Monte Alegre e comunidades Kalungas — o romance constrói uma ponte simbólica entre territórios separados por mares, mas unidos por histórias de resistência, ancestralidade e luta por dignidade.
Uma história que atravessa fronteiras e revela afinidades profundas
A obra acompanha a trajetória de Pierre, um haitiano que, nos anos 1960, foge da violência política do regime de François Duvalier, o Papa Doc, e encontra no Brasil não apenas refúgio, mas novas formas de pertencimento. Ao chegar ao interior goiano-tocantinense, Pierre se depara com as comunidades Kalungas e reconhece nelas marcas de uma ancestralidade comum, forjada pela resistência ao racismo, à exclusão e ao colonialismo.
Ao aproximar o vodu haitiano das tradições culturais e espirituais Kalungas, o livro revela conexões históricas e simbólicas raramente abordadas pela literatura e pelos livros didáticos, ampliando a compreensão sobre o Brasil negro e suas múltiplas raízes.
O Cerrado como personagem
Um dos destaques do romance é a forma como o Cerrado aparece na narrativa: rios, estradas de terra, travessias, fazendas, vilas e personagens do cotidiano compõem um retrato vivo da região. Leitores de Goiás e Tocantins reconhecem paisagens, expressões, modos de vida e experiências que fazem parte da memória coletiva local.
A narrativa percorre momentos importantes da história brasileira, como a construção de Brasília, a vida dos candangos, referências à Coluna Prestes e à formação dos quilombos, sempre a partir do olhar humano e sensível dos personagens.
Personagens marcantes e densidade social
Além de Pierre, o livro apresenta personagens fortes e complexos, como Darline Marie, símbolo de afeto e resistência; o tenente-coronel Gerard, expressão da violência e da corrupção do regime haitiano; e figuras do Cerrado profundo, como Dinin e Seu Monteiro, que representam a sabedoria popular, a religiosidade e os afetos do interior brasileiro.
Por que ler Pele Negra – Conexão Haiti–Brasil Kalunga
A obra se dirige especialmente aos moradores do Sudeste do Tocantins e do Nordeste de Goiás, mas também a leitores interessados em romances históricos, questões raciais, memória social, migração, educação e cultura afrodescendente. É um livro que valoriza territórios frequentemente invisibilizados, honra a história dos Kalungas e amplia o debate sobre identidade e democracia no Brasil.
Mais do que uma ficção, Pele Negra – Conexão Haiti–Brasil Kalunga é uma narrativa que pertence a esta região e dialoga com quem vive, estuda e constrói diariamente o Cerrado.
O livro já está disponível para aquisição e representa uma oportunidade de apoiar a produção literária regional e fortalecer narrativas que ajudam a compreender quem somos e de onde viemos.

