Estudo da UnB revela depósitos de fosfato e aponta potencial de desenvolvimento para Campos Belos (GO)

Uma pesquisa realizada na Universidade de Brasília (UnB) revelou informações importantes sobre a existência de depósitos de fosfato na região de Campos Belos, no nordeste de Goiás, e Arraias, no sudeste do Tocantins. O estudo foi apresentado em 2009 pela pesquisadora Cimara Francisca Monteiro e ajuda a entender melhor o potencial mineral e econômico da região.

Segundo a pesquisa, há três áreas principais com presença de fosfato, conhecidas como São Bento, Coité 1 e Coité 2. Esses depósitos se formaram há centenas de milhões de anos, em um período muito antigo da história da Terra, quando o ambiente natural da região era completamente diferente do atual.

Embora essas áreas não sejam grandes em extensão, elas chamam atenção pela alta concentração de fósforo, um mineral essencial para a produção de fertilizantes agrícolas. Em muitos pontos analisados, o teor de fósforo é considerado elevado para os padrões brasileiros, o que aumenta o interesse econômico sobre essas ocorrências.

O estudo explica que o fosfato está misturado a camadas de rochas finas e se acumula sobre rochas ainda mais antigas, formadas antes mesmo do surgimento da vida complexa no planeta. Essas características ajudaram a concentrar o mineral em locais específicos, em vez de espalhá-lo por toda a região.

A pesquisadora identificou diferentes tipos de rochas com fosfato. Algumas são mais comuns, com menor concentração do mineral, enquanto outras apresentam teores mais altos, especialmente aquelas formadas a partir do reaproveitamento natural de sedimentos ao longo do tempo. Entre todos os tipos analisados, há áreas com índices de fósforo considerados bastante elevados.

Em termos simples, o fosfato encontrado na região pode ser comparado a “bolsões” naturais escondidos em antigas depressões do terreno. Mesmo com a presença do mar no passado, o mineral acabou se acumulando apenas nesses pontos específicos, o que explica sua distribuição irregular.

A pesquisa também indica que o clima da época em que esses depósitos se formaram era frio, o que influenciou diretamente na preservação do fósforo. Com o passar do tempo e a ação da chuva e do calor, parte desse mineral foi sendo desgastada nas camadas mais superficiais do solo, em vez de se concentrar ainda mais.

Além da importância científica, o estudo aponta possíveis reflexos econômicos para Campos Belos e cidades vizinhas. A confirmação de áreas com fosfato de boa qualidade pode atrair investimentos em pesquisas minerais e, futuramente, em projetos de extração, desde que respeitadas as leis ambientais.

Caso isso ocorra, a atividade pode gerar empregos diretos, principalmente nas áreas de mineração, transporte e serviços técnicos, além de movimentar o comércio e outros setores da economia local. Outro efeito possível é o aumento da arrecadação do município, com mais recursos para investimentos em infraestrutura, saúde e educação.

O fosfato também tem papel estratégico para a agricultura, por ser matéria-prima fundamental na fabricação de fertilizantes, o que pode fortalecer cadeias produtivas ligadas ao agronegócio.

Especialistas ressaltam, no entanto, que qualquer iniciativa nesse sentido deve ser bem planejada e discutida com a comunidade, para garantir que o desenvolvimento econômico ocorra de forma responsável e traga benefícios duradouros para a população.

Dessa forma, a dissertação da UnB vai além do meio acadêmico e se apresenta como um importante ponto de partida para debates sobre desenvolvimento, geração de emprego e renda em Campos Belos e em toda a região nordeste de Goiás.

Leia a íntegra da Dissertação da UnB