Alto Paraíso, São Jorge e Cavalcante transformam a Chapada em referência nacional

Se hoje alguém pesquisa sobre a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, encontra mais do que um roteiro de cachoeiras exuberantes. Formada por Alto Paraíso de Goiás, Vila de São Jorge e Cavalcante, a região consolidou-se como referência nacional em turismo sustentável, combinando preservação ambiental, protagonismo comunitário e gestão responsável da visitação.

Situada no coração do Cerrado, a Chapada reúne áreas protegidas, comunidades tradicionais, controle de acesso a atrativos naturais e uma economia local estruturada em torno de pequenos empreendimentos. O resultado é um modelo de desenvolvimento turístico que alia conservação e geração de renda.

Alto Paraíso: estrutura com responsabilidade ambiental

Principal porta de entrada do destino, Alto Paraíso de Goiás organizou sua rede de serviços sem descaracterizar a identidade local. A cidade concentra pousadas com uso de energia solar, estabelecimentos que priorizam fornecedores regionais e feiras de produtos orgânicos.

Empreendimentos adotam práticas como captação de água da chuva, compostagem e redução do uso de plástico. O perfil do visitante também influencia o modelo adotado: predominam turistas interessados em experiências de baixo impacto, bem-estar e contato qualificado com a natureza.

Vila de São Jorge: acesso controlado e preservação

Distrito de Alto Paraíso, a Vila de São Jorge abriga a principal entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Ali, a sustentabilidade se traduz em regras claras: número limitado de visitantes por dia, horários definidos e monitoramento permanente das trilhas.

Atrativos como Saltos do Rio Preto, Cachoeira das Cariocas, Cânions e Carioquinhas operam sob critérios técnicos que evitam erosão, poluição e sobrecarga ambiental em um dos biomas mais biodiversos e pressionados do país.

A economia local é majoritariamente formada por pousadas familiares, restaurantes regionais e comércio independente, favorecendo a circulação de renda dentro da própria comunidade.

Cavalcante: turismo de base comunitária e território Kalunga

Cavalcante representa a dimensão social do turismo sustentável na Chapada. O município abriga parte do território Kalunga, uma das maiores comunidades quilombolas do Brasil.

A Cachoeira Santa Bárbara, conhecida pelas águas azul-turquesa, é administrada pela própria comunidade. O controle diário de visitantes assegura preservação ambiental, geração direta de renda e valorização cultural.

O modelo demonstra que sustentabilidade envolve não apenas proteção ambiental, mas também fortalecimento identitário e justiça social.

Fatores que consolidaram a referência nacional

Alguns elementos estruturais explicam a consolidação da Chapada como símbolo de turismo sustentável:

  • Controle de visitação: limitação de acesso evita superlotação.
  • Protagonismo local: predominância de negócios pertencentes a moradores.
  • Educação ambiental: guias capacitados difundem conhecimento sobre o Cerrado e suas nascentes.
  • Economia descentralizada: circulação de renda na própria região.
  • Reconhecimento internacional: o Parque Nacional é reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

Cerrado e responsabilidade ambiental

O Cerrado é conhecido como o “berço das águas”, por abrigar nascentes que alimentam importantes bacias hidrográficas brasileiras. Preservar trilhas, vegetação e recursos hídricos na Chapada significa proteger sistemas que abastecem milhões de pessoas.

Nesse contexto, o turismo sustentável na região deixa de ser estratégia de marketing e assume caráter ambiental estratégico.

Um novo perfil de visitante

A Chapada dos Veadeiros atrai majoritariamente um público interessado em experiências autênticas, contato intenso com a natureza, cultura local e práticas de bem-estar. Esse perfil favorece permanências mais longas, consumo responsável e maior adesão às normas ambientais.

Enquanto diversos destinos enfrentam os impactos da superlotação, a Chapada dos Veadeiros demonstra que é possível conciliar desenvolvimento econômico, conservação ecológica e valorização social — tornando-se, de fato, um modelo replicável para outras regiões do país.