Filha de mulher que morreu após ter corpo queimado por marido viu mãe em chamas e rolando pelo chão em desespero, diz juiz

A filha de 6 anos da mulher que morreu após ter o corpo queimado viu a mãe em chamas e rolando pelo chão em desespero, segundo o juiz que decidiu manter o suspeito, ex-companheiro da vítima, preso. Carlos Roberto de Souza Costa, de 27 anos, jogou álcool e colocou fogo em Mariana Soares de Melo Oliveira, em Campos Belos (GO), nordeste do estado.

A reportagem entrou em contato com o advogado que acompanhou Carlos Roberto na audiência de custódia, mas ele não quis se manifestar porque renunciou ao caso e também não conseguiu contato com a nova advogada dele.

Em sua decisão, o juiz Thales Prestrêlo Valadares Leão descreveu o que aconteceu na madrugada de 11 de fevereiro, quando Mariana Soares foi atacada pelo ex.

O magistrado afirmou que “a crueldade do ato” é intensificada mediante o relato do irmão de Mariana, Aleixo da Cunha Melo, que a encontrou na residência. Toda a cena foi presenciada pela sobrinha dele.

“(Ele) narrou que a filha da vítima, uma criança de apenas 6 (seis) anos, presenciou a própria mãe em chamas, rolando pelo chão em desespero”, afirmou.

Em seguida, Thales afirmou que a manutenção da prisão era a única medida para conter a “insensibilidade moral e o risco social” demonstrados pelo suspeito.

Mariana foi socorrida e levada para a Unidade de Pronto Atendimento de Campos Belos, sendo transferida, depois, para Hospital Estadual de Urgências Governador Otavio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia.

Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 16.

Histórico de violência doméstica

Ainda de acordo com o juiz, Carlos Roberto apresenta fortes indícios de “risco concreto à integridade física das mulheres com quem se relaciona”, em função do seu histórico de violência doméstica contra outra vítima, não identificada no termo da audiência. Essa outra mulher, segundo o magistrado, obteve na Justiça uma medida protetiva contra o suspeito.

“Esse histórico demonstra que o autuado possui uma propensão ao cometimento de ilícitos no âmbito das relações domésticas”, afirmou.