Estudante de Psicologia e egressa do IF Goiano de Campos Belos (GO) escreve crônica reflexiva com linguagem poética

Ariane Sousa de Menezes é estudante do curso superior de Psicologia, natural de Campos Belos, Goiás, filha do escritor Ari Santana de Menezes. Egressa do curso técnico em Administração integrado ao Ensino Médio pelo IF Goiano – Campus Campos Belos, está construindo sua trajetória unindo dedicação acadêmica e sensibilidade artística.

Apaixonada pela leitura e pelo estudo, Ariane encontra na escrita uma forma de investigar as inquietações humanas e aprofundar sua compreensão sobre si mesma e sobre o tempo que atravessa a existência.

Esta produção se destaca como crônica reflexiva com linguagem poética, nas quais aborda temas como a finitude da vida, a passagem do tempo, a memória e os medos que habitam o cotidiano.

Em “O medo que assombra”, revela uma escrita marcada pela introspecção e pela intensidade emocional, conduzindo o leitor por reflexões densas sobre a vida e a morte, ao mesmo tempo em que utiliza ironia sutil para surpreender e provocar. Sua capacidade de transformar angústias universais em narrativas sensíveis demonstra um olhar atento e crítico sobre a experiência humana.

Movida pelo desejo constante de autoconhecimento, Ariane busca a formação em Psicologia à sua prática literária, utilizando a escrita como ferramenta de expressão, reflexão e compreensão profunda da mente e das emoções.

O medo que assombra

Perguntaram-me certo dia qual era meu maior medo. Talvez fosse a guerra com suas mãos sanguinárias, ela abate por onde passa, mas esta não é a pior das coisas. As cobras são deveras assustadoras, seu veneno coagula o sangue humano, através de sua mordida vidas são ceifadas, mas elas não me impedem de dormir de madrugada.

Consultei os limites de minha mente, torturei meu conforto corriqueiro, me vi ranger os dentes de agonia por pensar em meu maior medo.

Foi quando meu corpo estremeceu, suor frio pela testa percorreu, eis que as horas se passavam e nenhuma resposta havia dentro de mim. Maldito “tic-tac” do relógio, seu som evidencia minha completa falta de controle, os dias passam, vem, e o tempo como sempre, não espera ninguém.

Todos estamos sujeitos a ele, independentemente de nossas conquistas, lutas e esforços. No fim haverá apenas terra e madeira para nossa presença receber. “As memórias duram para sempre”, diziam os românticos, mas em cem anos, todos irão nos esquecer, e a “memória eterna” passará, pois o tempo a levou. Ele leva tudo, os sonhos e as realizações. Por causa do tempo comecei a ter medo, medo de perder tempo tendo medo do tempo, mas esse medo o tempo levou.

O tempo me fez ter medo de morrer jovem, por ter vivido pouco tempo, me fez ter medo de envelhecer também, porque nesse caso já vivi demais, e sempre temi ter rugas. Contudo mais medo ainda tive de esquecer de tudo, porque isso o tempo também leva.

Sorri, chorei, desejei viver as coisas para sempre, mas percebi que não se pode

prolongar as horas, os minutos, nem os segundos. Tenho medo de ver meus pais morrendo jovens, e tenho medo de vê-los envelhecer. Por saber que mais perto o tempo está de os levar. O tempo tudo leva. Levou a mim também, em uma tarde qualquer. Um dia eu era menina, brincando nas ruas com minhas bonecas, já em outro era moça, tendo que sair da casa de meus pais porque agora precisava ter minha própria vida, mas foi a poucas horas atrás que eu fazia bolos de terra. Foi o tempo que levou.

Ele acaba com tudo, mas também inicia tudo. Meu grande medo é viver de forma inútil, vendo o tempo passar e levar tudo. As coisas se dissolvem perante meus olhos, mas o que eu haveria de fazer, se as horas não param?

Meu maior medo? Baratas. Nojentas do jeito que são!

(Ariane Sousa de Menezes)