O processo de tombamento do território quilombola Kalunga, localizado na região da Chapada dos Veadeiros, deve provocar mudanças significativas no perfil do turismo local, com maior valorização da cultura tradicional e incentivo ao modelo sustentável de visitação.
A medida, conduzida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, busca reconhecer e proteger não apenas o espaço físico, mas também os modos de vida, saberes e práticas culturais das comunidades quilombolas. A expectativa é que o reconhecimento fortaleça o turismo de base comunitária, já presente na região, ampliando a geração de renda e a autonomia dos moradores.
O território Kalunga é considerado um dos maiores quilombos do Brasil, com cerca de 262 mil hectares distribuídos entre municípios de Goiás e Tocantins, reunindo dezenas de comunidades formadas por descendentes de escravizados que resistiram ao regime colonial.
Mudança no perfil do visitante
Com o tombamento, a tendência é de transformação no tipo de turismo predominante na região. A proposta é reduzir a lógica de exploração massiva e fortalecer experiências mais ligadas à vivência cultural, à preservação ambiental e ao contato direto com as comunidades.
Segundo especialistas e lideranças locais, o reconhecimento institucional contribui para organizar melhor a atividade turística, garantindo que ela ocorra de forma responsável e com benefícios diretos para os quilombolas.
A iniciativa também deve impulsionar o chamado turismo de experiência, no qual visitantes têm acesso a práticas culturais, culinária, tradições religiosas e ao cotidiano das comunidades, em vez de apenas explorar atrativos naturais.
Desenvolvimento com preservação
O tombamento integra um conjunto de ações voltadas ao desenvolvimento territorial sustentável, incluindo a realização de inventários culturais e o mapeamento de potencialidades econômicas da região.
A proposta envolve a participação ativa dos próprios moradores no processo, garantindo que o reconhecimento do território respeite a identidade local e fortaleça a economia sem comprometer o patrimônio cultural e ambiental.
Para representantes das comunidades, a medida também tem caráter de reparação histórica, ao assegurar proteção institucional a um território marcado pela resistência e pela preservação de tradições ao longo de séculos.
Patrimônio cultural e natural
Inserido em uma das regiões mais emblemáticas do Cerrado brasileiro, o território Kalunga está próximo ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, área reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO e conhecida por sua biodiversidade e atrativos naturais.
Nesse contexto, o tombamento tende a consolidar a região como referência em turismo sustentável no país, equilibrando conservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento econômico.
A expectativa é que, com a nova configuração, o turismo deixe de ser apenas um vetor econômico e passe a atuar também como instrumento de preservação da memória e identidade do povo Kalunga.