Campos Belos tem posto de coleta de DNA para ajudar na identificação de pessoas desaparecidas

Famílias podem fornecer material genético até esta sexta-feira (28) durante mobilização nacional; Goiás já registra 2.139 desaparecimentos em 2026

Familiares de pessoas desaparecidas em Campos Belos e municípios da região têm até esta sexta-feira (28) para participar da 4ª Mobilização Nacional de Coleta de DNA, iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública que busca ampliar as possibilidades de identificação de pessoas desaparecidas em todo o país.

Em Campos Belos, a coleta é realizada na 12ª Coordenação Regional de Polícia Técnico-Científica (CRPTC), localizada na Avenida GO-118, Quadra 1, Lotes 3 e 4, Vila Baiana. O posto atende também familiares de municípios próximos que ainda não forneceram material genético.

A campanha disponibiliza 342 postos de coleta em todo o Brasil. Em Goiás, os pontos estão distribuídos por diferentes regiões do Estado, permitindo que famílias que ainda não realizaram o procedimento possam contribuir para a identificação de pessoas encontradas sem documentos ou outros elementos capazes de confirmar sua identidade.

DNA pode ajudar a identificar desaparecidos

O material coletado dos familiares é inserido no banco nacional de perfis genéticos e posteriormente comparado com amostras de pessoas não identificadas, vivas ou mortas. A análise pode estabelecer uma relação de parentesco mesmo quando não há documentos ou outras informações suficientes para confirmar a identidade.

A orientação é que, sempre que possível, participem da coleta parentes biológicos de primeiro grau, como pai, mãe, filhos e irmãos. Quanto mais próximo o grau de parentesco, maiores são as possibilidades de uma comparação genética conclusiva.

O procedimento é simples. O material pode ser obtido por meio de um cotonete passado na parte interna da boca ou pela coleta de uma pequena gota de sangue.

Para participar, é necessário apresentar documento de identificação e, se possível, informações sobre o desaparecimento, como o número ou uma cópia do Boletim de Ocorrência. Crianças também podem fornecer material genético, desde que acompanhadas pelo responsável legal.

Após a análise, o perfil genético passa a integrar a base utilizada nas comparações. Quando os peritos identificam uma possível relação de parentesco, o resultado é encaminhado à autoridade responsável pela investigação, que fica encarregada de comunicar a família.

Goiás registra aumento dos desaparecimentos

Os números mostram a dimensão do problema no Estado. Segundo registros oficiais, Goiás contabilizou 2.698 desaparecimentos em 2020. O número aumentou progressivamente nos anos seguintes: foram 3.101 em 2021, 3.464 em 2022, 3.619 em 2023, 3.792 em 2024 e 3.872 em 2025.

Na comparação entre 2020 e 2025, o crescimento foi de aproximadamente 43%.

Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que, entre janeiro e julho de 2026, o Centro-Oeste registrou 5.310 pessoas desaparecidas. Goiás concentrou 2.139 ocorrências, o maior número entre os quatro Estados da região.

Na sequência aparecem o Distrito Federal, com 1.340 casos; Mato Grosso, com 1.310; e Mato Grosso do Sul, com 521.

Dos desaparecimentos registrados no Centro-Oeste neste ano, 3.397 eram homens e 1.888 eram mulheres. Em 25 casos, o sexo não foi informado. Em relação à idade, 3.794 pessoas tinham 18 anos ou mais, enquanto 1.441 eram crianças ou adolescentes de até 17 anos. Em 75 registros, a idade não foi informada.

Maioria dos desaparecidos é localizada

Apesar do número elevado de ocorrências, parte significativa dos desaparecidos é localizada posteriormente.

Em Goiânia, segundo o Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), da Polícia Civil, foram registrados, em 2025, 709 desaparecimentos de adultos e 179 de crianças e adolescentes.

Entre os adultos, 96,47% foram localizados. Entre crianças e adolescentes, o índice de localização ficou entre 98% e 100%.

Os registros, portanto, reúnem situações bastante diferentes, que podem envolver conflitos familiares, vulnerabilidade social, afastamentos voluntários e também casos relacionados a crimes.

Desaparecimento também pode estar relacionado a crimes

Entre as ocorrências investigadas, algumas podem envolver situações de violência, exploração ou tráfico de pessoas. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando uma vítima é aliciada, retirada de seu local de origem e perde o contato com familiares.

Os dados disponíveis, entretanto, não permitem afirmar que os 2.139 desaparecimentos registrados em Goiás nos primeiros sete meses de 2026 estejam relacionados ao tráfico de pessoas. Essa eventual relação depende da investigação individual de cada caso.

Goiás, porém, está entre os Estados que registram investigações sobre esse tipo de crime. Em 2025, a Polícia Federal instaurou dez inquéritos no Estado para apurar tráfico de pessoas, mesmo número registrado no Paraná e no Rio de Janeiro. São Paulo liderou, com 46 investigações.

Estudos coordenados pela Universidade Federal de Goiás (UFG) também apontam a existência de rotas internacionais de exploração sexual envolvendo vítimas do Estado, principalmente com destino a países europeus, como Espanha e Portugal.

Coleta continua depois da mobilização

A mobilização nacional termina nesta sexta-feira, mas a coleta de material genético não fica restrita ao período da campanha. Depois da mobilização, familiares ainda podem procurar laboratórios ou institutos de perícia habilitados para fornecer o material.

A coleta de DNA é uma ferramenta adicional nas investigações, mas não substitui o registro imediato do desaparecimento.

Também não é necessário esperar 24 horas para procurar a polícia. Quando a ausência de uma pessoa foge da rotina e provoca preocupação, a família pode registrar o Boletim de Ocorrência imediatamente.

Fotografias recentes, características físicas, tatuagens, cicatrizes, roupas usadas no último contato, rotina, vínculos pessoais e possíveis destinos também podem contribuir para o trabalho das equipes de investigação.

Quando a pessoa desaparecida é localizada ou retorna para casa, a família deve comunicar a polícia para que o registro seja atualizado.

Onde fazer a coleta em Campos Belos

Campos Belos: 12ª Coordenação Regional de Polícia Técnico-Científica (CRPTC)
Endereço: Avenida GO-118, Quadra 1, Lotes 3 e 4, Vila Baiana.

Em Goiás, a mobilização também conta com postos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Cidade de Goiás, Formosa, Itumbiara, Caldas Novas, Morrinhos, Rio Verde, Quirinópolis, Ceres, Uruaçu, Porangatu, Catalão, Iporá, São Luís de Montes Belos, Anápolis, Jataí, Mineiros, Posse, Goianésia, Luziânia e Águas Lindas de Goiás.

Informações gerais sobre a coleta em Goiás: (62) 98140-4071, que também atende pelo WhatsApp.