O Distrito Federal encerrou 2025 com um rebanho de 17.486 equinos, além de 1.210 muares e 314 asininos, segundo dados da Secretaria de Agricultura do Distrito Federal.
Dados de utilização, referentes a 2022, mostram que cavalgadas e passeios apareciam como principal finalidade declarada, enquanto mais de um quarto dos equinos classificados era destinado ao esporte de alto rendimento.
Dados da Seagri referentes a 2022 ajudam a compreender o perfil da atividade. Naquele levantamento, 38,2% dos equinos classificados por utilização estavam associados a cavalgadas e passeios (6.680), enquanto 26,8% eram destinados ao esporte de alto rendimento (4.679).
Juntas, as duas finalidades correspondiam a 65% dos usos declarados. A reprodução representava 15,4% (2.700 animais), seguida pelo trabalho rural, com 6,9% (1.206), vaquejada, com 6,2% (1.081), e atividade militar, com 2,3% (397).
Os dados da Secretaria de Agricultura ajudam a dimensionar uma característica da equinocultura no Distrito Federal: a presença expressiva de animais ligados ao lazer e às modalidades esportivas, inclusive fora de haras e centros hípicos. Propriedades classificadas como rurais comuns também podem manter cavalos de alto rendimento, como animais utilizados em provas de enduro e outras modalidades.
Dados de 2026 da Secretaria de Agricultura do Distrito Federal (Seagri-DF) mostram que, entre 3.662 estabelecimentos classificados por tipologia, 3.422 são propriedades rurais comuns, o equivalente a 93,4%. Há ainda 114 haras, 113 alojamentos, oito hípicas, três hospitais e duas unidades militares. No mesmo ano, a Seagri contabiliza 3.088 cadastros de produtores de equinos, além de 440 de muares e 72 de asininos.
“Essa classificação não significa que os animais de uma propriedade rural comum sejam menos especializados. O que diferencia esses estabelecimentos é principalmente o perfil da atividade. Um haras tem como característica a reprodução e a comercialização frequente de animais, enquanto uma propriedade rural comum pode ter poucos cavalos, inclusive exemplares de alto rendimento, sem que a criação e a venda sejam a principal fonte de renda do proprietário”, explica Lydia Costa, organizadora do Seminário do Cavalo.
Para Lydia, os números mostram como o universo equestre do Distrito Federal é diversificado e reforçam a importância de aproximar os diferentes atores da cadeia. “Quando olhamos para esses dados, percebemos que o cavalo está presente no Distrito Federal de muitas formas. Temos o passeio e a cavalgada, o esporte de alto rendimento, a reprodução e também o trabalho no campo. E muitos animais de grande qualidade estão em pequenas propriedades, não necessariamente em grandes haras. É um setor bastante diverso e que precisa de espaços para troca de conhecimento e integração”, afirma Lydia.
Redução do rebanho não indica, isoladamente, tendência de queda
Os dados mais recentes disponíveis sobre o rebanho, referentes a 2025, registram 17.486 equinos, 1.210 muares e 314 asininos, totalizando 19.010 equídeos. Em 2024, eram 20.147 animais. A comparação aponta uma redução de 5,6% no rebanho total em um ano. Entre os cavalos, a queda foi de aproximadamente 5,8%, de 18.556 para 17.486.
A variação entre dois anos não permite concluir isoladamente que exista uma tendência de retração, já que o efetivo pode oscilar com a movimentação de animais para reprodução, comercialização e competições.
Há ainda um fator estrutural: a expansão das áreas residenciais no Distrito Federal reduz gradualmente o espaço disponível para diferentes atividades rurais. Mesmo assim, os dados atuais apontam para uma presença relevante dos equídeos, especialmente associada ao esporte e ao lazer.
“Mais do que olhar apenas para o tamanho do rebanho de um ano para outro, precisamos entender o papel que esses animais ocupam hoje. O DF tem uma presença importante do esporte equestre e reúne criadores, atletas, profissionais e proprietários que investem em animais de alto rendimento. É justamente essa diversidade que queremos colocar em diálogo”, destaca Lydia Costa.
Muares e asininos
Entre os muares registrados no levantamento da Secretaria de Agricultura, 841, equivalentes a 69,5%, foram declarados para cavalgada ou passeio, enquanto 344 (28,4%) aparecem relacionados ao trabalho rural. Outros 26 (2,1%) foram declarados para tração urbana.
“Esses percentuais precisam ser analisados com cautela, porque as informações sobre a utilização dos animais também consideram a autodeclaração dos produtores e não representam um levantamento estatístico específico sobre determinadas atividades. No caso da tração urbana, por exemplo, não podemos afirmar que existam apenas 26 muares utilizados para essa finalidade em todo o Distrito Federal. O dado mostra o que foi declarado e registrado no levantamento e precisa ser interpretado dentro desse contexto”, explica Lydia Costa.
Entre os asininos classificados por utilização, 188 (60%) aparecem relacionados a cavalgadas e passeios e 126 (40%) à reprodução.