No último dia 15, este jornalista esteve na cidade de Combinado, no sudeste do Tocantins, para participar de uma ação educacional promovida pelas escolas públicas Girassol e Augusta Vaz.
O encontro reuniu estudantes, professores e gestores em uma roda de conversa dedicada a temas urgentes para a educação brasileira: diversidade, igualdade racial e racismo estrutural.
A atividade integrou o calendário pedagógico das unidades, que vêm ampliando debates sobre questões sociais e direitos humanos. Durante o diálogo, discutiram-se conceitos fundamentais sobre racismo estrutural, sua presença no cotidiano e os impactos históricos e contemporâneos que ainda moldam desigualdades no Brasil.
Foram apresentados dados e reflexões sobre como o racismo, enraizado desde o período colonial, segue influenciando a distribuição de oportunidades, o acesso à educação, à saúde, ao mercado de trabalho e à representatividade política. Os participantes também dialogaram sobre a importância da formação crítica nas escolas e do fortalecimento das políticas de equidade.
A conversa provocou grande participação dos estudantes, que relataram experiências, dúvidas e percepções sobre o tema. Educadores reforçaram o papel da escola na construção de uma sociedade mais justa, plural e consciente.
Exposição e sorteio do livro “Pele Negra – Conexão Haiti-Brasil Kalunga”
Na oportunidade, foi realizada a apresentação do livro “Pele Negra – Conexão Haiti-Brasil Kalunga”, de minha autoria, lançado em junho deste ano. A obra, um romance histórico e social, dialoga de forma direta com os temas debatidos durante a roda de conversa, ampliando a compreensão sobre identidade, pertencimento e resistência.
No romance, o leitor acompanha a trajetória de Pierre, um haitiano que, nos anos 1960, enfrenta a pobreza e a repressão política em seu país. Buscando recomeçar, ele parte rumo ao Brasil, estabelecendo uma ponte narrativa entre o Haiti e o cerrado goiano. A conexão entre essas duas realidades — ambas marcadas por legados de resistência, espiritualidade e luta contra o colonialismo — é explorada com rigor histórico e sensibilidade literária.
Já em território brasileiro, Pierre encontra refúgio entre os Kalungas, uma das maiores comunidades quilombolas do país. Ali, descobre afinidades culturais profundas e estabelece laços que ajudam a reconstruir sua identidade. Personagens como Darline enriquecem a trama com emoção, conflitos e nuances que reforçam a centralidade das relações humanas na narrativa.
O livro aborda temas como racismo, ancestralidade, cultura, memória histórica e diásporas, oferecendo ao leitor uma experiência sensível e profundamente conectada com debates contemporâneos.
Ao final do evento, estudantes e educadores participaram de um sorteio de exemplares da obra, gesto que reforçou o compromisso das escolas com a promoção da leitura e a valorização da diversidade cultural.


