

Na próxima sexta-feira (28), o Campus de Arraias da Universidade Federal do Tocantins (UFT) será palco de um evento especial para a literatura, a educação e, sobretudo, para as comunidades do Sudeste do Tocantins e do Nordeste de Goiás.
A partir das 19h, durante a 15ª Semana Acadêmica de Pedagogia, será realizado o lançamento oficial do livro “Pele Negra – Conexão Haiti–Brasil Kalunga”, romance do jornalista e escritor Dinomar Miranda, que traz à luz histórias, memórias e narrativas que atravessam fronteiras geográficas e culturais, mas que se conectam diretamente ao território e ao povo desta região.
O lançamento integra um dos mais relevantes eventos acadêmicos da instituição, marcado pela intensa participação de educadores, pesquisadores e estudantes.
Este ano, o tema da Semana Acadêmica — “Educação, Território e Democracia: o que a formação de professores tem a ver com isso?” — reforça a centralidade da universidade como espaço de diálogo, reflexão crítica e construção coletiva, com valorização da escola pública e do papel social do professor.
O encontro também receberá submissões de trabalhos científicos de graduação e pós-graduação.
Um lançamento simbólico: Arraias, UFT e o coração Kalunga
Dinomar Miranda afirma que escolheu a UFT de Arraias para lançar o livro porque a instituição está no coração das comunidades Kalungas — território que inspira parte essencial da obra.
A UFT tem histórico de acolhimento, pesquisa e valorização da cultura kalunga, reconhecendo sua relevância histórica, política e identitária para o Brasil. O autor destaca que lançar o romance justamente ali é uma forma de devolver à comunidade um pouco das histórias que ela mesma preserva e inspira.
Sobre o romance que atravessa o Haiti, o Cerrado e a história do Brasil
“Pele Negra – Conexão Haiti–Brasil Kalunga” é um romance histórico e social que entrelaça ficção e realidade com profundidade, elegância literária e forte compromisso com a memória dos povos afrodescendentes. A obra acompanha a jornada de Pierre, um haitiano que, nos anos 1960, vive sob a brutalidade do regime de Papa Doc e decide fugir da miséria, da violência e da opressão política em busca de liberdade.
A narrativa se desenvolve em Porto Príncipe, Brasília, Cavalcante, Monte Alegre, Arraias, Campos Belos e comunidades Kalungas do sertão, criando um trajeto emocional e geográfico que aproxima o Haiti das comunidades quilombolas brasileiras.
Essa conexão surpreendente — entre o Vodu e as tradições Kalungas, entre a resistência haitiana e a luta histórica dos quilombos — revela afinidades culturais profundas, construídas sobre séculos de enfrentamento ao racismo, ao colonialismo e às desigualdades sociais.
Um romance de resistência, identidade e memória
O livro se destaca por sua riqueza descritiva: o Cerrado é apresentado com suas paisagens, rios, caminhos de terra, fauna, flora e seus personagens reais do cotidiano das fronteiras goiano-tocantinenses. Há trechos marcantes sobre as viagens entre Cavalcante e Campos Belos, a travessia do rio Paranã, a vida nas fazendas e o universo sertanejo.
A obra também mergulha na história do Brasil, passando pela construção de Brasília, pela vida dos candangos, pelos ecos da Coluna Prestes e pela formação das comunidades quilombolas. Pierre encontra nos Kalungas não apenas abrigo, mas um espelho de sua própria ancestralidade, descobrindo que as lutas do Haiti e do Brasil negro se cruzam mais do que os livros costumam registrar.
Personagens fortes e complexos
Além de Pierre, o leitor encontra:
- Darline Marie, jovem haitiana que simboliza esperança, amor e resistência, peça chave para a carga emocional da trama;
- Tenente-Coronel Gerard, antagonista marcado pela corrupção e pela violência do regime de Papa Doc;
- Dinin e Seu Monteiro, brasileiros que representam o Cerrado profundo, com sua sabedoria, religiosidade, humor, desafios e afetos.
Para quem é o livro
A obra dialoga diretamente com:
- moradores do Sudeste do Tocantins e Nordeste de Goiás, que reconhecerão cenários, expressões e histórias de suas próprias terras;
- leitores interessados em narrativas de resistência, ancestralidade e cultura afrodescendente;
- apreciadores de romances históricos, dramas políticos e histórias baseadas em fatos reais;
- estudantes e pesquisadores das áreas de educação, sociologia, antropologia, história e literatura.
Por que ler?
Porque o livro revela um elo pouco explorado entre Haiti e Brasil; porque traz à tona histórias negligenciadas; porque honra a trajetória dos Kalungas; porque fala de identidade, amor, pertencimento, migração e democracia; porque reafirma o valor da memória e da luta dos povos negros no continente americano.
E, sobretudo, porque é uma obra que pertence a esta região.
Convite
Moradores de Arraias, Campos Belos, Cavalcante, Monte Alegre, Teresina de Goiás, Aurora, Taguatinga e de todo o entorno estão convidados a participar.
O lançamento será também um momento de celebração cultural e de reencontro com a própria história — uma oportunidade de valorizar narrativas que nasceram, viveram e resistem no território que chamamos de casa.
Lançamento do livro “Pele Negra – Conexão Haiti–Brasil Kalunga”
📍 UFT – Campus Arraias
📅 Sexta-feira, 28
⏰ 19h
Um livro que atravessa mares, serras e séculos — e que, de algum modo, conta também a sua história.



