Mulheres de Arraias (TO) cobram posicionamento das autoridades após feminicídio que abalou a cidade

O feminicídio da jovem Aline, ocorrido recentemente em Arraias, provocou comoção e revolta entre moradores, especialmente entre as mulheres da cidade. Além da dor pela perda, um sentimento tem se tornado ainda mais evidente: o repúdio ao silêncio das autoridades locais diante de um crime tão brutal.

Desde o episódio, nenhum posicionamento público foi registrado por parte da Câmara Municipal ou de outros órgãos institucionais. Não houve nota oficial, ato público, campanha de sensibilização ou mobilização voltada à comunidade — especialmente ao público masculino, cuja participação é essencial na prevenção da violência contra as mulheres.

Para muitas mulheres arraianas, esse silêncio não é apenas uma ausência de solidariedade: é um sintoma da falta de prioridade dada ao enfrentamento da violência de gênero no município. Em um momento em que o país discute políticas públicas, prevenção e responsabilização, a omissão das lideranças locais ecoa como um retrocesso.

Representantes do movimento feminino em Arraias destacam que quem ocupa espaços de poder tem responsabilidade direta em promover debate, demonstrar repúdio e influenciar a sociedade na construção de um ambiente mais seguro para mulheres e meninas. “Precisamos que nossos representantes entendam a gravidade deste tema. O feminicídio não é um caso isolado. É estrutural, como o racismo. E o silêncio não nos protege”, reforçam.

A cobrança vem em um contexto alarmante. Só em 2024, o Brasil registrou 1.479 feminicídios. A maioria das vítimas eram mulheres negras, mortas dentro de suas próprias casas e, quase sempre, pelo atual ou ex-companheiro. No mesmo período, o Ligue 180, canal nacional de atendimento para mulheres em situação de violência, recebeu mais de 691 mil pedidos de ajuda.
Os números evidenciam uma realidade dolorosa: ser mulher ainda é um risco no Brasil.

O Dia 25 de novembro — Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres — reforça a importância de ações concretas, campanhas de conscientização e políticas públicas eficazes. Para as mulheres de Arraias, é justamente isso que falta na cidade: ações que expressem comprometimento real com a proteção da vida das mulheres.

Embora o tema seja urgente e humanitário, muitas moradoras relatam que, por questões políticas locais, ainda prevalece a cultura do machismo e a dificuldade de promover o debate sem que tudo seja interpretado de maneira pessoal ou partidária. Por isso, pedem que a pauta seja tratada com seriedade institucional, acima de disputas políticas ou interesses individuais.

“Não é sobre política. É sobre vida. É sobre todas nós.”
É o apelo das mulheres de Arraias aos seus representantes.

Orientações para quem sofre violência

  • Ligue 180 – Central de atendimento à mulher
  • Emergência: 190 – Polícia Militar
  • Procure a rede de apoio local e não se cale.
    Denunciar salva vidas.

Que o caso de Aline não seja mais um número em estatísticas que só crescem. Que sirva como alerta, como ponto de partida e como compromisso coletivo para que outras mulheres não tenham o mesmo destino — e para que Arraias, finalmente, consiga romper a lógica do silêncio.