
O Instituto Federal Goiano promoveu, no último sábado (9), uma capacitação voltada ao uso seguro de agrotóxicos, bioinsumos e equipamentos de proteção individual (EPIs) na Comunidade Quilombola do Povoado Cabeçudo, localizada no Nordeste Goiano.
A ação integra o projeto “Mais Agro, Menos Tóxico: por um agro que não deixe ninguém e nenhum lugar para trás”, desenvolvido pelo Grupo de Conservação de Agrossistemas e Ecotoxicologia (CAE).
A atividade reuniu moradores da comunidade, estudantes, pesquisadores, professores e parceiros institucionais, com o objetivo de fortalecer práticas agrícolas mais seguras, sustentáveis e inclusivas. Durante a capacitação, foram abordados temas relacionados ao manejo correto de defensivos agrícolas, ao uso adequado de bioinsumos e à importância dos EPIs para a proteção da saúde dos trabalhadores rurais.
De acordo com o coordenador do projeto e diretor-geral do IF Goiano – Campus Campos Belos, Althiéris de Souza Saraiva, a receptividade da comunidade tem sido positiva e marcada pela participação ativa dos moradores.
“Atividades como essa também valorizam os conhecimentos tradicionais da comunidade, promovendo uma troca importante entre ciência e saber popular”, destacou.
Atualmente, dezenas de moradores participam direta e indiretamente das ações do projeto, entre agricultores familiares, trabalhadores rurais e jovens da comunidade. No povoado, predominam culturas tradicionais da agricultura familiar, fundamentais para a subsistência das famílias e para a geração de renda local.
Segundo o coordenador, o projeto busca reduzir a exposição inadequada aos agrotóxicos e ampliar a conscientização sobre os riscos ocupacionais no campo. A proposta também incentiva práticas agrícolas mais responsáveis e a adoção gradual de alternativas sustentáveis, como os bioinsumos.
Além do aspecto relacionado à saúde, a iniciativa também pretende enfrentar desigualdades sociotécnicas presentes em comunidades tradicionais e rurais, onde o acesso a tecnologias, capacitações e equipamentos de segurança ainda é limitado.
“Enquanto algumas regiões contam com tecnologias avançadas e assistência frequente, em muitos territórios tradicionais ainda faltam equipamentos básicos de proteção”, ressaltou Althiéris.
No campo ambiental, o projeto estimula práticas capazes de reduzir impactos sobre o solo, a água, os polinizadores e a biodiversidade local. A ação também reforça a importância da inclusão social e do acesso democrático ao conhecimento científico e tecnológico.
A iniciativa recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), que destinou R$ 44,9 mil para a aquisição de 100 equipamentos de proteção individual e 10 pulverizadores costais com acessórios de turbonebulização. O projeto foi selecionado no edital de Apoio a Projetos de Extensão de Instituições de Ensino Superior do Estado de Goiás (nº 12/2025), voltado a ações de impacto social em comunidades vulneráveis.
O trabalho é desenvolvido em parceria com o Centro de Excelência em Bioinsumos (CEBIO), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Comunidade Quilombola do Povoado Cabeçudo e a empresa Agropecuária Gomes Lima.
Para os organizadores, a integração entre instituições de ensino, pesquisa e comunidades tradicionais é fundamental para construir soluções mais adequadas à realidade da agricultura familiar.
“O diálogo entre ciência e comunidade é essencial para promover um modelo agrícola mais sustentável, participativo e socialmente inclusivo”, concluiu o coordenador do projeto.
