Período de estiagem aumenta riscos de desidratação, problemas respiratórios e complicações, principalmente entre crianças e idosos
A chegada do período mais crítico da seca exige atenção redobrada dos moradores do Nordeste de Goiás e do Sudeste do Tocantins. Com a queda da umidade relativa do ar e as altas temperaturas, aumentam os riscos de desidratação, problemas respiratórios, irritações nos olhos e na pele, além da possibilidade de agravamento de doenças como asma e rinite.
O período de estiagem também favorece a ocorrência de queimadas e incêndios florestais, que podem aumentar ainda mais a concentração de fumaça e partículas no ar e agravar os problemas respiratórios.
O tempo seco compromete mecanismos naturais de proteção do organismo. Segundo a pneumologista Milena Zamian, do Hospital DF Star, da Rede D’Or, a redução da umidade das secreções que revestem as vias aéreas diminui a capacidade de defesa do organismo.
“Devido à perda de umidade das secreções que revestem as mucosas das vias aéreas, há diminuição da capacidade de defesa contra microrganismos, predispondo a infecções respiratórias. A maior quantidade de poeira suspensa no ar é um fator agravante e afeta principalmente os portadores de asma e rinite”, explica.
Crianças e idosos precisam de atenção
Entre os grupos que exigem maior cuidado estão crianças pequenas e idosos. Essas faixas etárias apresentam maior vulnerabilidade à desidratação e podem ter dificuldades para perceber ou comunicar a necessidade de ingerir líquidos.
Segundo Milena, os idosos costumam apresentar uma percepção reduzida da sede e, por isso, podem consumir menos água do que o necessário. Já crianças pequenas dependem dos adultos para manter uma hidratação adequada.
O pediatra Thallys Ramalho, coordenador de pediatria do Hospital Santa Helena, também alerta para os riscos.
“Mesmo quando desidratados, idosos e crianças não costumam sentir sede para uma reposição efetiva do déficit de água. Nessas faixas etárias, a desidratação pode ter consequências mais graves, como por exemplo, insuficiência renal”, explica.
Nas crianças, alguns sinais podem indicar desidratação, como irritabilidade, alterações de humor e redução da quantidade de urina. Em bebês, a diminuição da frequência de troca de fraldas pode ser um sinal de alerta.
Quem trabalha ao ar livre também corre riscos
No Nordeste de Goiás e no Sudeste do Tocantins, onde muitos trabalhadores desempenham atividades externas, os cuidados precisam ser reforçados durante os dias mais quentes e secos.
Frentistas, garis, trabalhadores rurais, vendedores ambulantes, entregadores e outros profissionais que permanecem expostos ao sol e ao vento perdem líquidos com maior facilidade e estão mais sujeitos à desidratação.
“A exposição ao vento e ao sol aumenta a perda de líquidos corporais e acentua a desidratação. Essas pessoas devem redobrar o cuidado com a hidratação”, orienta Milena Zamian.
A recomendação é aumentar a ingestão de água, sucos e água de coco e, sempre que possível, evitar atividades físicas ou esforços mais intensos durante os horários de maior calor, especialmente entre 10h e 16h.
Como enfrentar o período de seca
Para reduzir os impactos da baixa umidade, os especialistas recomendam:
- Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
- Aumentar a ingestão de líquidos nos dias mais quentes;
- Manter a pele hidratada;
- Utilizar protetor solar;
- Fazer a hidratação das mucosas do nariz e dos olhos com soro fisiológico;
- Usar chapéus ou bonés e roupas que protejam a pele;
- Evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes;
- Reduzir esforços físicos intensos durante os períodos de maior calor;
- Redobrar os cuidados com crianças e idosos;
- Evitar exposição à fumaça de queimadas e incêndios.
A combinação de calor, baixa umidade, poeira e fumaça de queimadas pode tornar a qualidade do ar ainda mais prejudicial. Por isso, moradores do Nordeste de Goiás e do Sudeste do Tocantins devem ficar atentos aos períodos de umidade muito baixa e aos sinais de desidratação ou agravamento de problemas respiratórios.
Em caso de sintomas importantes ou persistentes, a recomendação é procurar atendimento médico.