Chaminés de fada colocam Campos Belos no mapa da geologia e do turismo sustentável

Uma paisagem que remete a cenários de ficção científica começa a atrair a atenção de pesquisadores e visitantes no Nordeste de Goiás. As chamadas chaminés de fada — formações geológicas raras no Brasil — foram identificadas no município de Campos Belos e já impulsionam estudos acadêmicos e debates sobre visitação controlada.

A descoberta ganhou repercussão após reportagens recentes e análises técnicas conduzidas por pesquisadores da Universidade Federal de Goias (UFG), que classificaram o conjunto como um dos primeiros registros desse tipo de formação em maior escala no país.

O que são as chaminés de fada?

As chaminés de fada são torres naturais de rocha formadas por um processo conhecido como erosão diferencial. Nesse fenômeno, uma camada de rocha mais resistente protege materiais mais frágeis situados abaixo. Com o passar dos séculos, a ação contínua da chuva e do vento desgasta a base, preservando a parte superior, que funciona como uma espécie de “chapéu” de pedra.

Esse tipo de estrutura é raro e ocorre em poucos lugares do mundo. O exemplo mais conhecido está na região da Capadocia, na Turquia, além de registros pontuais na Europa e nos Estados Unidos.

Como foram identificadas em Goiás?

Segundo informações divulgadas por pesquisadores da UFG, as formações foram localizadas em uma propriedade rural na região de Campos Belos. O interesse científico surgiu após registros fotográficos da área chamarem a atenção de geólogos. Equipes técnicas realizaram visitas ao local e confirmaram tratar-se de um conjunto raro de estruturas geológicas.

Especialistas destacam que a preservação natural da área foi determinante para a integridade das formações, já que o espaço ainda não havia sido submetido à exploração turística intensiva.

Por que o nome “Vale de Marte”?

A paisagem avermelhada das rochas e o aspecto árido do terreno renderam à área o apelido de “Vale de Marte”. A denominação surgiu de forma espontânea, em referência à semelhança visual com imagens do planeta Marte, amplamente divulgadas em registros espaciais.

O nome passou a ser utilizado como referência informal ao possível futuro atrativo turístico, reforçando o caráter singular do cenário no contexto do Cerrado goiano.

Como será a visitação?

A proposta inicial prevê turismo controlado, com trilhas ecológicas, grupos reduzidos e permanência limitada. O objetivo é mitigar impactos ambientais e evitar desgaste das estruturas, que são frágeis e suscetíveis à erosão acelerada com o aumento do fluxo de visitantes.

Por enquanto, não há abertura ampla ao público. O local permanece em fase de estudos e planejamento, com foco na construção de um modelo de turismo sustentável.

Ciência e potencial turístico

Além do apelo visual, as chaminés de fada projetam o Nordeste goiano no cenário da geologia nacional. Para a comunidade científica, as formações contribuem para a compreensão de processos geomorfológicos que se desenvolvem ao longo de milhares de anos. Para visitantes e moradores, representam uma paisagem incomum no Cerrado e um novo vetor potencial de desenvolvimento regional, desde que aliado à preservação ambiental.